Resolvi segurar o volante e dirigir, escolhi embarcar nessa aventura chamada Intercâmbio. Se bem que eu não estou estudando, logo isso não poderia ser chamado intercâmbio. Mas então, estou fazendo o que aqui em Londres? Essa é uma pergunta que têm martelado minha cabeça dia e noite.
A viagem tomou um rumo diferente do que eu estava planejando, se bem que é exatamente essa a graça da vida. Só que as vezes essa diferença é brusca, como esta acontecendo no meu caso e estou esbarrando em uma barreira atrás da outra. Até ai nenhum problema, gosto de desafios e já derrubei diversas barreiras, essa seria apenas mais uma. Só que dessa vez a barreira é maior e mais sólida, ela é diferente das outras e se fosse para chamá-la por algum nome seria: famÃlia. Mas por que a famÃlia seria uma barreira em um intercâmbio? (vou chamar a minha “loucura” de intercâmbio, mesmo que não seja exatamente um)
Quando resolvi arrumar as malas e partir para, além de aprender uma nova lÃngua, ter novas experiências e me auto conhecer, já estava preparado para encontrar alguns obstaculos. A lÃngua, a “obrigação” de se socializar, a procura por uma moradia, a necessidade por um trabalho e muitos outros, só não esperava encontrar minha famÃlia pela frente.  É até engraçado que 4 dias antes de embarcar, estava na piscina durante o carnaval em IlhaBela e ouvi a seguinte frase de uma menina “Londres é apaixonante! No começo é difÃcil, eu mesma fiquei os 2 primeiros meses querendo voltar, mas acabou que estendi minha estadia de 6 meses para 1 ano.”. Esse era um desafio que eu já estava preparado para enfrentar, mas acabou que não o encontrei. Me adaptei de uma forma tão intensa, as coisas foram acontecendo de uma forma tão rápida que não tive tempo e nem vontade para pensar em voltar, pelo contrário, estava pensando em morar aqui de vez.
Como não se apaixonar pela terra da Rainha?
Logo nas primeiras semanas eu já estava com uma conta de banco aberta, entrevista de emprego marcada, havia feito várias loucuras e quase conseguido um ménage. O que mais poderia querer? Acontece que foi passando o tempo, o dinheiro começou a apertar e o emprego não rolou. Até que chegou a hora de precisar pedir dinheiro pro papai e junto o pensamento “porra, já passou da hora de eu tomar vergonha na cara e arrumar um emprego para me manter”.
O dinheiro foi enviado, mas dessa vez prometi à mim mesmo que esse dinheiro seria para me sustentar e nada além. Se eu quisesse sair para balada ou beber, teria que ser através de meu próprio suor e não mais os do meus pais. E agora estou aqui, cumprindo com minhas palavras e com diversas barreiras a frente, inclusive aquela que eu já estava preparado para enfrentar. Sim, a menina da piscina estava certa, a vontade de voltar começou, com um mês de atraso, mas com bastante força. O pior é juntar essa vontade com o fato de falar com a famÃlia todos os dias.
Será que é realmente necessário falar com eles todos os dias? Se eu me “desliga-se” do skype por um tempo, até recuperar minha motivação para continuar aqui em Londres, será que eles ficariam muito mal? E a resposta é sim. Por mais que cada vez que eu fale com eles a vontade de voltar só aumente, não tem como ignorá-los, eu não conseguiria fingir que eles simplesemente não existem e eles precisam saber se estou bem e o que esta acontecendo, eles também tem saudades. Por isso que eu falo que essa é uma barreira quase intransponÃvel, mas que quando for derrubada será um aprendizado imenso. Vivo diariamente com motivação para encontrar trabalho, mas ao mesmo tempo para não encontrar e eu voltar antes do que imaginava. Duvidas e mais duvidas. O que queremos?
Talvez se eu estivesse realmente fazendo um intercâmbio e estudando todos os dias, as coisas estariam melhores. Não sei e nem pretendo saber, escolhi meu caminho e agora irei segui-lo. É como dizem, cada escolha uma renúncia. Ao escolher vir para Londres de forma totalmente independênte e livre, abri mão do convÃvio diário com minha famÃlia e amigos, abri mão de escola de inglês e de mais algumas coisas também. Faz parte da vida, esse é o jogo da vida: escolher e assumir os riscos. Deu errado? Mude sem medo e de cabeça erguida, pelo menos você foi atrás do que realmente queria. Só não vale também parar nas primeiras barreira e falar “não consigo”.
Respondendo a pergunta do começo do post: “O que eu estou fazendo aqui em Londres?” Estou aprendendo uma nova lÃngua, conhecendo uma nova cultura, sentindo saudades, passando frio, sorrindo e muitas outras coisas! É como meu pai fala “Você esta em Londres cara!” Porra, eu estou em Londres! E se você me perguntar agora se valeu a pena e se eu recomendaria para as pessoas fazerem intercambios, eu falaria sem pensar duas vezes: Com certeza, não existe aprendizado maior. Intercâmbio é uma experiência única e, me arrisco a dizer, que uma das mais intensas que podemos passar durante nossas vidas. Mesmo nesse meu atual momento de conflitos, uma coisa é certa: eu estou crescendo, eu estou mudando, eu estou vivendo!